A técnica mais esquecida no manejo do solo.

Na faculdade de Agronomia, a primeira coisa que normalmente aprendemos sobre solo é sua origem, formação e logo em seguida a classificação. Talvez em nossa cabeça fique a memória de uma matéria chata com todos aqueles nomes para decorar, como se só precisássemos saber aquilo para dar base para outras matérias. E quando vamos trabalhar com manejo do solo ignoramos uma parte fundamental e preciosa do processo: conhecer quem é o sujeito que estamos lidando

O tipo de solo influencia tudo, fazendo uma analogia, na psicologia conhece-se primeiro a história da pessoa para entender seu comportamento e aí poder prever como irá reagir e poder conduzir o trabalho. E assim é também no manejo do solo, ao classificar um solo conhecemos sua história, ou seja, como foi formado e consequentemente como irá se comportar em relação ao manejo operacional, resistência maior ou menor a erosão, tendência maior ou menor a compactação, retenção maior ou menor dos fertilizantes que serão adicionados, necessidade maior ou menor de correção em subsuperfície, com aplicação de gesso, maior ou menor resposta à produtividade máxima da cultura que será implantada e assim por diante.

Fala-se muito na agricultura de precisão em “Unidades de manejo” e empolgados com a tecnologia procuramos buscar no espaço a resposta de melhor divisão da área para otimizar o manejo! Procuramos pela resposta da planta nos mapas de NDVI, esquecendo-se que a planta é a ponta do iceberg, o sensor final de todas as interações que estão ocorrendo naquele momento no solo e no ambiente, além de ser uma informação pontual, representando aquele momento e só.

Procuramos enxergar pelas imagens manchas de textura, o que não é errado, mas esquecemos que o que determina o solo, o indivíduo, está um pouco mais abaixo.

Mas também, quem se lembra que a classificação se dá principalmente pelas características do horizonte B, localizado na média abaixo de 80 cm ou mais?

E sabe aquela classificação em eutrófico ou distrófico? Só o que determina é o horizonte B também, afinal, na profundidade de 0 a 20 cm, todos os solos manejados serão eutróficos, é claro!

E você pode estar se perguntando: e os mapas de classificação, não basta dar uma olhada onde minha área se encaixa? E aí te respondo, já deu uma olhada na escala do mapa? Se em 200 ha já pode haver uma diferença enorme, imagina em mapas com escala de 1:5.000.000. Os mapas são importantes sim, mas apenas para nortear. O diabo mora nos detalhes!

Mas se é tão importante assim, por que os proprietários e agrônomos não fazem? Essa pergunta merecia uma pesquisa a parte, mas em minha humilde opinião (lembre-se: opinião) e uma certa provocação, um mapa de satélite é fácil e confortável, classificação de solo demanda planejamento, abertura de trincheiras, buscar conhecimento, paciência, tempo. Quem é que tem essas coisas hoje em dia?

Porém, aquele que se atrever a encarar essa atividade (que é claro, não é moleza) terá uma informação quase eterna (em relação à nossa breve vida, informação 100% eterna) que servirá de contra prova para qualquer imagem, qualquer mapa de colheita, qualquer mapa de fertilidade e por aí vai. Além de ter uma informação confiável para divisão em unidades de manejo.

“Mas aqui na minha região só tem latossolo, será que compensa?” Compensa porque as manchas de solo são descontínuas e podem ser bem menores do que você imagina. Se em uma propriedade podem ter variações de 10 a 40% de argila, imagina o tipo de solo…aliás pode ser bem esse o motivo da variação. E antes de terminar: não, texturas iguais não indicam solos iguais!

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